Como está o nosso sim ou a nossa adesão a Deus? A teologia da
retribuição faz parte de uma mentalidade que perpassa quase todo o Antigo
Testamento. O trecho do livro do profeta Ezequiel nos põe às portas da primeira
deportação dos judeus para a Babilônia, em 597 a.C. A deportação mais
importante foi a do ano 587 a.C., e a terceira foi em 582 a.C. Ante a iminência
do exílio, o povo de Deus blasfema pondo em Deus a culpa de seu fracasso. Mas
Deus não se cala; nem sempre Deus silencia. É Ele quem revela as faltas do seu
povo. O exílio é o fruto podre das alianças políticas equivocadas e
consequência do abandono, por parte do povo, do Deus que os havia libertado da
casa da servidão. A injustiça que eles cometeram foi abandonar os mandamentos
do Senhor para seguir suas próprias inclinações más. É preciso compreender que
Deus não nos trata segundo as nossas faltas, nem é Ele que está na origem de
nossos males. Deus provoca a conversão e acolhe todo pecador que se converte.
Nesse sentido, o texto de hoje do profeta Ezequiel é um apelo à conversão.
A parábola dos dois filhos representa duas atitudes diante do chamado de Deus.
Essa parábola é a sequência do diálogo com os sumos sacerdotes e anciãos em que
eles perguntam a Jesus, perplexos pela sua atitude de expulsar do Templo os
cambistas e os comerciantes (Mt 21,12-16), quanto à origem de sua autoridade:
“quem te concedeu essa autoridade?” (v. 23). A pergunta deles revela a
resistência em reconhecer a origem divina de Jesus. Desejam desmascarar Jesus,
mas diante de Jesus é a máscara deles que cai por terra. O filho que diz não ao
seu pai e, depois, acaba indo trabalhar na vinha, vale mais do que aquele que
diz sim, mas não obedece. Um homem de verdade é reconhecido por seus atos, não
por suas intenções. Imaginemos um banquete em que os lugares eram distribuídos
em função da dignidade das pessoas. O anúncio de Jesus significa que os
publicanos e as prostitutas, cujas vidas, num primeiro momento, representavam
um não a Deus, ocupam, no Reino dos Céus, o lugar reservado aos sumos
sacerdotes e aos anciãos. Por quê? Por que eles ouviram a pregação de João
Batista e se converteram. Os sumos sacerdotes e os anciãos, ao contrário,
resistiram em crer em João, como resistem em crer em Jesus, apesar de terem
visto as boas obras, e não se converteram.
Carlos Alberto Contieri, sj
FONTE: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=evangelho
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