sábado, 1 de abril de 2017

“QUEM CRÊ EM MIM MESMO QUE MORRA VIVERÁ.”

5º DOMINGO DA QUARESMA



Evangelho de Jo11,3-7.17.20-27.33b-45

Estamos no quinto domingo da quaresma, já nos aproximando do ponto mais alto da nossa caminhada fé: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
A liturgia deste tempo de recolhimento interior, produziu frutos em nós, levou-nos a redescobrir os valores sobre os quais devemos assentar a nossa vida!
Ninguém consegue se encontrar, sem antes ter um encontro pessoal com Jesus, e não há tempo mais oportuno do que este tempo, para buscarmos dentro de nós mesmos, este encontro! É a partir do nosso  encontro pessoal com Jesus, que vamos redescobrindo  o verdadeiro sentido do nosso existir, o para quê viemos ao mundo!
Em todos os ensinamentos de Jesus, há sempre um apelo de conversão, é o seu amor querendo falar mais forte ao nosso coração, no desejo de nos recolocar no nosso verdadeiro lugar, que é o coração do Pai!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, narra a belíssima cena da ressurreição de Lázaro. Um episódio, que se deu em  Betânia,  uma aldeia distante  três quilômetros de Jerusalém.
Jesus não se encontrava em Betânia, quando recebeu a notícia de que Lázaro, seu amigo, estava doente. Ao tomar conhecimento deste fato,  Ele disse: “Essa doença não leva a morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por Deus.” “Essa doença não leva a morte.” Dizendo isso, Jesus afirma, que a doença que leva  à morte, é o pecado, o que não era o caso de Lázaro.
 Depois de receber a notícia de que  Lázaro  estava doente, Jesus não se apressou em  ir até a ele, Ele só chegou em  Betânia, quatro dias depois da morte do amigo.
Marta, ao saber que Jesus  estava em sua casa, vai ao seu encontro, ela sabia, que a presença Dele, lhe traria um grande conforto! Num desabafo profundo, ela disse a Jesus: “Senhor se estivesses aqui o meu irmão não teria morrido.” Mal sabia Marta, que Jesus  já estava ciente de tudo que acontecera com Lázaro e que  Ele só não interviu antes, porque aquela “morte” seria  aproveitada como fonte de vida para muitos, pois  ao devolver a vida de Lázaro,  muitos também, ganhariam vida, ou seja, ressuscitando  Lázaro,  muitos judeus passariam   a crer Nele, a aceita-lo como o enviado de Deus!
Enquanto  Marta relata  o acontecido à Jesus,  Maria, completamente desolada nada fala, apenas chora,  à princípio, nem  vai ao  encontro de Jesus,   só depois que Ele mandou chamá-la, é que ela vai  ao  seu encontro!
De joelho, Maria diante de Jesus, repete  as mesmas palavras de Marta: “Senhor se estivesses aqui o meu irmão não teria morrido”.
A narrativa prossegue dizendo, que enquanto caminhava em direção ao túmulo de Lázaro, Jesus se emociona, chegando a chorar. E diante o túmulo,  Ele ordena: “Tirai a pedra!” Marta interveio: “Senhor já cheira mal. Está morto há quatro dias.” Mas mediante,  aos argumentos de Jesus, eles tiraram a pedra. E Jesus,  após um diálogo com o Pai, chama Lázaro para fora, devolvendo-lhe a vida!
A ressurreição de Lázaro  não teve o sentido de privilegiar Marta e Maria, porque o irmão delas morreria novamente. A ressurreição de Lázaro,  foi no sentido, de  servir de sinal para que as pessoa que o rodeava  pudessem crer que Ela era de fato, o enviado de Deus! Foi o que aconteceu: Depois deste episódio, muitos passaram a  crer em Jesus!
Podemos tirar várias lições deste evangelho, dentre tantas, um grande aprendizado, que é a fé de Marta e de  Maria, elas não questionaram Jesus, pela morte  do irmão e nem a sua demora em chegar lá.  Apesar da dor, as duas irmãs, se  mantiveram  firmes na fé, reconhecendo Jesus como o  Deus e Senhor de suas vidas: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.”
Para quem tem fé, a palavra "impossível" não existe, quando  tudo parece perdido, como parecia perdido para Marta e Maria, há sempre uma esperança! Por mais escura e longa que seja a noite, ela nunca é definitiva, pois depois da escuridão, vem sempre  um novo dia,  o sol volta a brilhar!
Quando perdemos um ente querido, parece que o mundo desaba sobre nós, ficamos sem chão, sem rumo, às vezes até vacilantes  na fé. É importante entendermos: Deus permite que estas separações nos aconteçam, mas Ele não nos abandona, em Jesus, Ele nos carrega no colo, enquanto fazemos estas difíceis travessias!
Podemos perceber, quando tudo nos parece perdido, Jesus vem ao nosso encontro, como foi ao encontro de Marta e Maria. Ele não  trás de volta, a vida terrena dos nossos entes queridos, como trouxe  de volta a vida de Lázaro,  mas mergulha conosco, no oceano  mais profundo da nossa dor, para depois nos reerguer e nos recolocar de pé. 
O choro de Jesus diante  àquele triste acontecimento, vem nos mostrar a sua sensibilidade diante aos que sofrem!  Sigamos o  seu exemplo: sejamos sensíveis diante aos  que passam pela a dor da separação. A nossa presença, ainda que silenciosa, é confortante para os corações ilutados.


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

FONTE: http://homiliadominical2.blogspot.com.br/
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sábado, 25 de março de 2017

DAS TREVAS À LUZ!

4º DOMINGO DA QUARESMA


A liturgia deste domingo é profundamente batismal, ou seja, na cura do cego de nascença temos manifesta a graça e o rito batismal. De fato, o Batismo nos faz passar das trevas para luz, pois este sacramento nos dá a graça de brilhar a luz de Cristo, Por isso, desde a Igreja Primitiva, o recém-batizado é chamado de neófito, ou seja, novo iluminado.  O cego de nascença é a figura do iluminado pela luz do Senhor.

A escuridão, as trevas e a cegueira carregam um sinal negativo na Bíblia. Representam a desorientação, o pecado. Quando se vive no pecado, prefere-se que as obras fiquem encobertas, para que a hipocrisia não seja desmascarada. Ser cego é não reconhecer o Senhor, não abrir-se a salvação como foi a atitude de muitas testemunhas do sinal de Jesus no Evangelho. Por isso, acolhamos o convite do apóstolo Paulo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz do Senhor. Vivei como filhos da luz” (Ef 5,8).
Ser curado da cegueira é estar com os olhos abertos à salvação, é reconhecer onde estão os verdadeiros valores, superando os vícios das trevas. O cego de nascença tornou-se um enviado para a missão, pois foi ungido e orientado para ir até a piscina de Siloé (=enviado). Pela graça batismal, somos enviados para iluminar a luz de Cristo, para fazer o bem, deixando as nossas obras serem luz para o mundo pela força do Espírito de Deus (a saliva e o hálito significam o sopro divino).

Algumas características são marcantes na cura do cego de nascença do Evangelho. São notas características de todo batizado:
·         Não é mais reconhecido como cego (“é ele que pedia esmola?”): suas atitudes mudam, evidencia-se sua conversão. O cristão impressionar o mundo com a nossa mudança de vida.
·         Não tem medo da verdade. Os pais não têm coragem de manifestar o que aconteceu, as autoridades não admitem, mas o iluminado não vende suas convicções, testemunha com coragem a verdade, prefere ser expulso daquela comunidade do que mentir. Precisamos de pessoas verdadeiras, pois como nos diz São Paulo, as obras das trevas nos causam vergonha, os filhos das trevas as escondem.
·         O iluminado está em uma constante atitude de procura: “Quem é ele?” Nunca está satisfeito, mas quer saber mais sobre aquele que o curou. Existe um constante peregrinar para o conhecimento de Jesus, o Senhor.

É preciso entender que Deus não escolhe um grupo seleto, mas faz sua opção na gratuidade. Deus escolhe os fracos, os pequenos, os pecadores, os doentes… Deus escolheu Davi e não Eliab, o filho mais forte de Jessé… A doença do cego não é um castigo, mas uma oportunidade para manifestar o poder de Deus. Hoje Deus escolhe cada um de nós para que vejamos longe, para que tenhamos olhos e mentes abertas e para que a nossa vida brilhe.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR    


FONTE: http://www.catequistasemformacao.com/2017/03/homilia-4-domingo-da-quaresma.html
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