sábado, 25 de abril de 2015

Jesus é o pastor segundo o coração de Deus


Os domingos do tempo pascal são verdadeira catequese sobre a ressurreição, o mistério pascal e suas consequências para a vida dos cristãos. No evangelho de hoje, Jesus se insere na corrente dos profetas que denunciam os falsos pastores e anunciam para Israel um pastor segundo o coração de Deus, compassivo, misericordioso. No século VI a.C., o profeta Jeremias denunciava que os falsos pastores, aqueles a quem era atribuído o título de pastor – os reis, em especial –, conduziam o povo para longe do Deus único e verdadeiro; levaram o povo a adorar os ídolos e a abandonar os mandamentos de Deus. A aflição do povo, o desejo de um único e verdadeiro pastor para que as ovelhas não se desgarrassem, fará com que Deus, diante da fraqueza e da infidelidade dos que estavam à frente do povo, prometa conduzir, ele mesmo, a porção de sua herança, qual um pastor. Essa promessa nós a vemos realizada em Jesus, Bom Pastor. Jesus é o Pastor segundo o coração de Deus, Pastor compassivo e misericordioso, que conduz e protege as suas ovelhas. Não somente isso, mas Jesus é o Bom Pastor que entrega livremente a própria vida em favor de suas ovelhas. A cada celebração da Eucaristia recordamos essa palavra do Senhor: “isto é o meu corpo entregue por vós... isto é o meu sangue derramado por vós”. Entre o Pastor e as ovelhas há uma relação profunda: ambos se conhecem. Trata-se do modo joanino de afirmar que a relação entre o Bom Pastor e as suas ovelhas é participação na relação que existe entre o Pai e o Filho. A relação que Jesus estabelece conosco é como um prolongamento de sua relação com o Pai. Por causa dessa relação tão estreita, selada com amor profundo, que o Bom Pastor oferece livremente a sua vida em favor de suas ovelhas. Essa entrega corresponde ao desejo salvífico de Deus; por isso, Jesus diz: “O Pai me ama porque eu dou a minha vida”. E em seguida, ele diz: “para receber de novo”. É uma referência ao mistério pascal: Jesus entrega a sua vida livremente e a recupera pela vitória sobre a morte. Nós somos convidados, diante de tudo isso, a entrar nesse dinamismo do amor de Deus: “Vede que grande amor nos concedeu o Pai...” (1Jo 3,1). Finalmente, a força da ressurreição de Jesus transforma profundamente a vida de quem o segue. O Pedro da paixão que negou Jesus três vezes foi transformado pela ressurreição do Senhor e pela força do Espírito Santo. Na sua pregação ele experimenta um vigor extraordinário que o faz vencer o medo e aderir plenamente a Cristo ressuscitado e a seu projeto salvífico.

Pe. Carlos Alberto Contieri

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domingo, 19 de abril de 2015

O Ressuscitado convida a reler a história à luz do evento pascal


O evangelho de hoje é a sequência do relato dos discípulos de Emaús. Trata-se, ainda, da manifestação de Jesus ressuscitado aos apóstolos, reunidos no Cenáculo. A comunicação espiritual da experiência do Ressuscitado é ocasião em que o próprio Senhor se faz presente. Mas sua presença não é evidente a todos nem nas mesmas circunstâncias. A presença do Ressuscitado não é desvario ou ilusão; ela é real. Ele não é um fantasma; ele tem um corpo. Jesus sabe que os apóstolos estão assustados e que eles têm dificuldade em aceitar essa nova realidade de sua presença. Os apóstolos têm dificuldade de compreender o que é realmente a ressurreição. Eles têm dúvida. Por isso, Jesus ressuscitado convida a olhar as suas mãos e os seus pés e a tocá-lo. Ele é um homem com um corpo e uma alma. Mas o seu corpo de ressuscitado é bem diferente do corpo que tinha quando de sua existência terrestre. Do ponto de vista bíblico, o corpo é um instrumento que Deus colocou à nossa disposição para que possamos viver a nossa vida em plenitude. A experiência que faz sentir uma alegria que perdura para além de um momento aprazível é o modo de conhecer que o Senhor está presente. Nosso texto de hoje afirma uma identidade diferenciada: o Crucificado é o Ressuscitado. Essa é a mensagem contida no convite a olhar as mãos e os pés que trazem a marca da paixão. Embora o seu corpo traga as marcas de sua paixão, trata-se de um corpo glorioso para o qual não há lugar nem situação onde ele não possa estar. É um modo de presença que ultrapassa os limites do visível e do imediatamente perceptível. Ele exige fé. A vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo são indissociáveis. A presença de Jesus ressuscitado ilumina a memória e convida a reler a história à luz do evento pascal. A manifestação de Jesus ressuscitado aos apóstolos, no cenáculo, os abre para o futuro. Quando da sua existência terrestre e finita, a missão de Jesus se limitava às ovelhas perdidas da casa de Israel. Após sua paixão e ressurreição, a missão dos apóstolos se estende para o mundo inteiro. A liturgia deste dia nos convida a aprofundar nosso engajamento e nossa adesão a Cristo ressuscitado e nossa disposição em realizar a sua vontade salvífica.

Pe. Carlos Alberto Contieri


FONTE: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=evangelho

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