Carlos Alberto Contieri, sj
sábado, 24 de maio de 2014
Perseguidos por causa de Jesus.
A missão cristã encontra resistência, oposição e perseguição em razão da
união dos discípulos com o Senhor (Mt 10,24-25; Jo 13,16; 15,20). É bastante
provável que, em nosso texto de hoje, “mundo” represente a sinagoga que
persegue os cristãos até a morte (cf. At 7; 9,1-2). No envio dos discípulos,
Jesus os prevenia para a possibilidade de resistência violenta contra a missão
cristã (Lc 10,3; Mt 10,16). Já no prólogo do evangelho João anuncia a rejeição
do Verbo de Deus (1,5.10). No diálogo catequético-batismal de Jesus com
Nicodemos, Jesus apresenta o motivo da rejeição da luz por parte dos homens:
“porque suas obras eram más” (3,19). É em razão da configuração da vida à
Cristo que o discípulo é perseguido (cf. v. 18). Mas é nessa comunhão com o
Senhor que o discípulo deve encontrar o apoio para enfrentar a rejeição, a
perseguição e até a ameaça da própria vida, e não sucumbir diante das
adversidades próprias da missão. A razão da perseguição ou do ódio do mundo por
aquilo que é de Deus é dupla: ignorância e falta de fé. Os perseguidores
desconhecem o Pai e, por isso, não reconhecem que Ele enviou Jesus (v. 21).
Carlos Alberto Contieri, sj
domingo, 18 de maio de 2014
O que a falta de fé pode fazer na vida do discípulo...
Toda a liturgia da palavra deste quinto domingo da Páscoa repousa sobre a preocupação com a unidade da comunidade, depois da morte e ressurreição do Senhor. A unidade e a comunhão dos discípulos são sinais e, ao mesmo tempo, frutos da presença de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos. No caso do início do capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos, a unidade da comunidade é ameaçada pelo aumento do número dos que aderiam à fé em Jesus Cristo. Com esse aumento, começou a haver uma contenda entre dois grupos: os cristãos convertidos do judaísmo e os cristãos convertidos do paganismo. Quando cresce o número de pessoas, quando aumenta a diversidade, inclusive cultural, a comunidade pode apresentar seu ponto de fragilidade e necessita de atenção. O problema é que as viúvas dos gregos não eram assistidas em suas carências. Os Doze não dão mais conta de todo trabalho a ser feito e de socorrer todas as necessidades. É preciso que eles permaneçam fiéis ao seu ministério específico (v. 4), suscitando e verificando os diferentes carismas de serviço presentes na comunidade, e colocando-os a serviço do bem de todos. A proposta e a escolha dos “sete” (vv. 3.5) foram a solução para aquele problema específico da comunidade.
Há outras ameaças à unidade da comunidade: a tristeza, a desilusão, a frustração. O capítulo 14 de João é a continuação do discurso de despedida de Jesus no contexto da última ceia. O anúncio da paixão e morte desconcerta os discípulos, na linguagem do próprio evangelho, “perturba”, agita. A preocupação de Jesus nesse discurso é com essa situação dos discípulos. A preocupação é com o que a falta de fé pode fazer na vida do discípulo decepcionado, frustrado, perturbado. A falta de fé fez e faz os discípulos abandonarem o Senhor e a própria comunidade. Por isso, o início do trecho de hoje do evangelho é um convite à fé (v. 1). O apoio da vida em Deus é o que sustenta o discípulo ante o desfecho dramático da existência terrena de Jesus. É a fé que permite ver um sentido em todas as coisas, até mesmo nas mais trágicas situações da nossa história, da história de Jesus que “passou por este mundo fazendo o bem”. A fé é que permitirá, mais tarde, sentir a morte de Jesus como lugar a partir do qual brilha a Glória de Deus.
Carlos Alberto Contieri, sj
FONTE: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=evangelho
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