sábado, 27 de julho de 2013

O que pedir? O que Deus oferece?


No texto do evangelho deste domingo é enquadrado à menção do “pedido”: no v. 1, “um dos discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a orar…?”; no v. 13 é Jesus quem diz: “… quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!”. O “pedido” é o tema principal de nossa perícope. Qual deve, então, ser o pedido que caracteriza a súplica do discípulo? Pedido e promessa visam ao Espírito Santo. Não é, aqui, o espaço de fazermos um comentário sobre o Pai-Nosso.

Basta simplesmente dizer que, o que nos permite entrar no dinamismo da relação filial entre Jesus e o Pai, é o Espírito Santo, que o Pai dará.

Segue à oração do Pai-Nosso, que é a oração do Senhor e da comunidade que ele reúne, uma parábola (vv. 5-8) e sua interpelação para o discípulo (vv. 9-12). O que pedir? O que Deus oferece?  É preciso mover a vontade e pedir insistentemente (cf. vv. 8-9), sem desanimar.

A súplica é exercício de humildade e confiança. Mas o que pedir? O Pai-Nosso ilustra: pão, perdão, não ceder às tentações. Pedir não só para o indivíduo, mas para todos. Mas não é só, ou não é tudo, pois a vida do ser humano não se reduz ao imediato. Deus nos oferece gratuitamente o Espírito Santo (v. 13); Jesus sugere que nós o supliquemos ao Pai. É o Espírito Santo, Deus em nós, que ilumina nossa vida para que possamos discernir as soluções dos dramas humanos. É o Espírito Santo que nos permite entrar na intimidade divina.


Carlos Alberto Contieri, sj

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sábado, 20 de julho de 2013

Jesus aceita o convite das duas irmãs




O evangelho deste domingo está situado na parte central de Lucas, a “subida de Jesus para Jerusalém”. É preciso, como ponto de partida, eliminar um equívoco, a saber, a oposição entre ação e contemplação. Neste caso, Jesus daria prioridade à contemplação sobre a ação.


Aqui, a questão é bem outra: trata-se de receber Jesus, de recebê-lo de verdade.

Foi Marta quem o recebeu: “… e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa” (v. 38). Daí que é não só precipitado, mas uma má leitura do texto, desqualificá-la.


Jesus aceita o convite de Marta. Aliás, ele espera ser convidado: “... eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Nós temos sempre uma porta a abrir para acolher Jesus.

A fé em Jesus é hospitalidade – trata-se de recebê-lo em si, em sua intimidade pessoal e familiar. E recebê-lo bem! Receber bem é deixar o outro falar e se dispor a ouvi-lo. Escutar é um trabalho, exige esforço.  Frequentemente, há muito barulho à nossa volta, muito barulho em nós. Escutar alguém exige atenção.

 Escutar distraidamente, continuando a fazer as tarefas, é um modo de dizer àquele que fala que o que ele diz não tem nada de decisivo ou de importante. Escutar alguém exige, como ponto de partida, admitir que ele possa ter razão no que diz. Nosso relato tem um valor simbólico. Ele responde a uma questão fundamental para o cristão: o que é ser, realmente, discípulo de Jesus? A lição deste episódio é que ele não opõe duas opções. Ele afirma uma prioridade: escutar, receber uma palavra que se instala em nós como um hóspede se instala em nossa casa.

O erro de Marta foi ter obstruído este tempo de escuta, de ter considerado que receber Jesus é simplesmente preparar a mesa, pôr pequenos pratos, como é o costume até hoje no Oriente. Marta queria fazer-se apreciar.

Tal zelo acaba se transformando em tristeza, amargura, inveja; ela estima que o seu trabalho não é reconhecido o bastante: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda, pois, que ela venha me ajudar!” (v. 40).

O texto é um apelo a dar prioridade a uma palavra que precede tudo e que nos faz agir em consequência dela.

Carlos Alberto Contieri, sj